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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Samsung SSC-1 - O primeiro (e único) esportivo da marca

Se te perguntarem qual é o carro esportivo que usa faróis do Nissan 300ZX, bem capaz de você responder que é o Lamborghini Diablo pós-facelift. Ok, reposta correta e prova de que você possui um bom conhecimento automotivo. Mas antes do Diablo, outro carro esportivo de motor central traseiro utilizou os faróis do Nissan 300ZX. Conheça o Samsung SSC1, o esportivo coreano do qual você nunca ouviu falar!

(foto: allcarindex.com)
(foto: doopedia.co.kr)

Apresentado no Salão de Seul de 1997, após três anos de desenvolvimento, o SSC1 era uma excelente forma de chamar a atenção do público para o estande da Samsung, que estava prestes a colocar nas ruas seu primeiro carro produzido em série, o Samsung SM5. Motor e transmissão são os mesmos do SM5, uma unidade Nissan VQ25DE. Trata-se de um V6 de 2.5L e 190 cv, montado na transversal e acoplado a um câmbio manual de cinco marchas. A suspensão é independente nas quatro rodas, do tipo Double Wishbone. Os freios a disco são da Brembo, envoltos por rodas de 17 polegadas. Por fim, a carroceria é feita de plástico reforçado com fibras.

Motor Nissan V6 2.5L (foto: icomes.com)
(foto: icomes.com)
(foto: carlife.net)
(foto: carlife.net)
(foto: carlife.net)

Olhando atentamente as fotos (disponíveis, infelizmente, em baixa resolução), podemos reparar em algumas peças interessantes, como o volante Momo, que era um opcional oferecido em diversos Nissan da época, como o Silvia S14 e o Skyline R33, a central multimidia que, apesar de ter o logo da Samsung nas fotos, é virtualmente identica aos modelos da Xanavi, oferecidos em Nissans como o Stagea e Infinitis Q45 e QX4 e os bancos, que provavelmente são Recaros, modelo DSV.


Volante Momo/Nissan
Sistema de navegação e toca fitas usados no SSC-1 são os mesmos do Samsung SM5
Banco Recaro, modelo DSV

As informações sobre este protótipo são escassas. Apesar de ter sido apresentado em 1997, não há fotos do SSC-1 no Salão de Seul daquele ano. As fotos do modelo de cor prata em um estande de exibição, são do Busan International Motor Show, realizado em 2001. As fotos externas são de uma reportagem da revista "Carlife" também realizada em 2001. Já as fotos do modelo amarelo/verde(?) não possuem alguma indicação do ano em que foi tirada. Importante notar, o modelo amarelo aparece em todas as fotos com a placa "Samsung", enquanto no modelo prata observa-se a placa "Renault Samsung", o que levanta a suspeita de que o modelo amarelo tenha sido pintado de prata. Isso se levarmos em consideração que apenas uma unidade foi fabricada. Visualmente, as únicas diferenças entre o modelo prata e o amarelo são as rodas, os "olhos de gato" presentes no parachoque traseiro do modelo amarelo e a cor do revestimento do painel e dos forros de porta.

(foto: carlife.net)
(foto: carlife.net)
(foto: carlife.net)
(foto: carlife.net)
(foto: allcarindex.com)
(foto: carlife.net)

Tentei entrar em contato com o "Samsung Transportation Museum", que possui em seu acervo a unidade cedida para as fotos da revista Carlife. No entanto, nunca obtive um retorno. Enquanto isso, só nos resta apreciar seu bom design noventista, visto que já fazem dezessete anos desde que as últimas fotos que circulam na internet foram tiradas.

sábado, 15 de novembro de 2014

A Samsung no segmento de automóveis



“A Samsung faz automóveis? Como assim? Achava que ela só sabia fazer smartphones e TVs.” Ledo engano caro leitor, a Samsung é um dos maiores conglomerados empresariais do mundo, composto de aproximadamente 80 subsidiárias, atuando nos mais variados setores de serviço e da indústria. Além de smartphones, televisões e automóveis, ela também fabrica navios cargueiros, equipamentos militares, atua no setor financeiro, no setor de seguros, na pesquisa de medicamentos, dentre outros. Suas exportações correspondem a 28% do Produto Interno Bruto (PIB) da Coréia do Sul. Como nem tudo são flores, o atual CEO e filho do fundador do conglomerado, Lee Kun-hee, já foi condenado duas vezes por corrupção envolvendo o governo coreano. Mas capaz de exercer influência no governo como poucos na Coréia do Sul, em ambos os casos teve sua condenação perdoada pelos presidentes do país. Dado o fato de que o conglomerado tem se aventurado na área de biotecnologia, não ficaríamos surpresos com a criação de um T-Virus. Afinal, estamos quase que diante de uma Umbrella Corporation da vida real. Ok, tenho perdido muito tempo assistindo aos filmes de Resident Evil, vamos falar rapidamente da história da Samsung e de como ela se aventurou na área automotiva.
Em 1938, ainda durante a ocupação japonesa, Lee Byung-Chull, um integrante de uma família que possuía grandes porções de terra na península coreana desde antes da ocupação japonesa, fundou a Samsung, uma empresa que, primariamente, exportava frutas, vegetais e peixes para a região da Manchúria e Beijing. No intervalo de alguns anos, a Samsung já possuía moinhos, máquinas de confecção e operações de manufatura e venda. Com o passar do tempo, o conglomerado passou a diversificar sua área de atuação. Entre as décadas de 1950 e 1960, iniciou operações na área de refinaria de açúcar, seguro de vida e equipamentos eletrônicos. E assim ela continuou se expandindo, até os dias atuais.
Samsung em 1938 (foto: nytimes.com)

Em 1987 o fundador Lee Byung-Chull veio a falecer. Quem o substituiu na liderança do grupo foi seu terceiro filho, Lee Kun-Hee, que educado no Japão exatamente com seu pai, demonstrou maior aptidão para seguir com os negócios da familia.
 
Lee Kun-Hee (foto: businessweek.com)
Lee, o indivíduo mais rico da Coreia do Sul e admirador de automóveis, acreditava que a Samsung teria vantagens nessa indústria. Portanto, decidiu se aventurar no mercado de automóveis. Segundo alguns executivos da Samsung, alguns conselheiros do próprio Lee eram contra a entrada do grupo neste mercado. Mesmo assim, o presidente do grupo não levou em consideração o conselho. Alguns protótipos foram construídos pela Samsung Heavy Industries, como o Samsung SEV-III, o primeiro carro elétrico coreano e o Samsung SVC-1, que mais parece um carrinho de golfe.
Samsung SEV-III (foto:/oldcar-korea.tistory.com)
Samsung SVC-1 (foto:/oldcar-korea.tistory.com)

Em 1994, a Samsung Heavy Industries firmou um acordo de licenciamento e assistência técnica com a Nissan. No ano seguinte, foi criada a Samsung Motors Inc., uma subsidiária para fabricar automóveis. O investimento de 120 milhões de dólares seria proveniente de outras três empresas do grupo, sendo que a previsão inicial era começar a fabricar os veículos no ano de 1998. Já prevendo uma atuação no mercado norte americano a partir do ano 2000, a subsidiária recém-formada adquiriu um centro de design automotivo em Huntington Beach, Califórnia. A iniciativa buscava seguir os mesmos passos de outras fabricantes de veículos sul-coreanas em território americano, como a Hyundai e a Kia.

No entanto, em 1997 a Samsung Motors Inc. descartou o plano inicial de entrar no mercado norte-americano na virada da década. Com a Crise Asiática, todo o mercado sul coreano sofreu um baque, principalmente no setor automotivo. Com a moeda local desvalorizada, o principal objetivo da indústria automobilística sul coreana passava a ser focada na exportação de seus produtos. O investimento de 1,8 bilhões de dólares da Samsung Motors em uma nova fábrica precisava de um grande volume de produção para dar lucro e, portanto, a previsão inicial era a de fabricar veículos para exportação em maior quantidade do que os destinados ao mercado interno. Foi neste cenário de retração do mercado automobilístico que a Samsung lançou seu primeiro carro, o Samsung SQ5, que nada mais era do que um Nissan Maxima de 1994 com algumas mudanças cosméticas. O argumento de venda era oferecer um automóvel com o mesmo preço dos concorrentes, mas dotado de uma maior quantidade de equipamentos.
Samsung SQ5 (foto: autowp.ru)


Apesar do bom número de unidades vendidas em seu ano de estreia no mercado, em 1999 a Samsung vendeu pouco mais de 7 mil veículos. O investimento na fábrica de automóveis não havia sido recuperado, pois a capacidade de produção era para até 240 mil veículos. A dívida da subsidiária de automóveis acumulava o montante de 4 bilhões de dólares, o que fez com que ela fosse colocada a venda pelo conglomerado, como parte da manobra efetuada para reorganizar sua estrutura financeira. No ano 2000, a Renault acabou comprando 70% das ações da Samsung Motors, tornando-se a primeira fabricante europeia a atuar no restrito mercado de automóveis sul-coreano. Mesmo assim, no acordo firmado entre as partes o nome Samsung deveria continuar a ser usado nos automóveis. A Renault, no ano de 1999, havia formado uma aliança com a Nissan em escala global, uma vez que a Nissan estava prestes a entrar em falência. É provável que as relações construídas anteriormente entre a Samsung e a Nissan tenham facilitado as negociações do grupo coreano com a aliança franco-japonesa.

Com a montadora francesa sobre o controle da divisão de automóveis da Samsung, a Samsung Motors transformou-se na Renault-Samsung Motors, agora uma subsidiária do grupo francês. Processos de manufatura foram revistos, custos foram cortados e um novo modelo foi lançado. O novo SM3 era baseado no Nissan Sunny, um parente de plataforma do nosso conhecido carro de tiozão, o Nissan Sentra B15. O crescente aumento na participação do mercado sul-coreano fez com que a Renault aumentasse sua cota de ações na empresa para 80% posteriormente. No entanto, a renovação dos produtos das concorrentes Hyundai, Kia e GM Korea fez com que a Renault-Samsung perdesse participação no mercado a partir de 2011. Em 2013, a montadora ocupava a última posição nas vendas dentre as marcas coreanas. Na atual gama de modelos da Renault-Samsung, está o SM3, mais conhecido por aqui como Renault Fluence. E você aí achando que nunca veria um carro da Samsung na vida...
Samsung SM3 Neo (foto: autowp.ru)


A antiga Samsung Motors não teve oportunidade de progredir no mercado devido às fracas vendas e ao momento inoportuno de lançamento de seu primeiro veículo durante uma crise econômica. Caso tivesse a longevidade de suas concorrentes, poderia ter dado continuidade à obtenção de experiência no segmento, passando a produzir chassis com design próprio e posteriormente motores e suspensões desenvolvidos internamente, fato observado na Hyundai Motor, a fabricante sul-coreana que obteve o maior êxito dentro do segmento de automóveis.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sobre o Carros Coreanos



Olá a todos!

A ideia de criar este blog surgiu durante um processo de pesquisa para um trabalho acadêmico sobre a relação entre os chaebols, os conglomerados empresariais sul-coreanos e o desenvolvimento econômico da Coreia do Sul.
A Coreia do Sul é protagonista de um exemplo peculiar de desenvolvimento. O país, na década de 1950, tinha péssimos indicadores socioeconômicos, mas quatro décadas depois já estava posicionada entre as economias mais dinâmicas e desenvolvidas do mundo. Acompanhado do crescimento econômico, veio o desenvolvimento dos indicadores sociais como a qualidade de vida, a educação e a infraestrutura construída.

Cidade de Seoul (foto: uspassportnow.com)

Na década de 1970, sob o comando do general Park Chung-hee, a Coreia passou por um processo de desenvolvimento da indústria automobilística local, através de planos econômicos arquitetados pelo governo e executados pelos grandes conglomerados empresariais sul-coreanos.

Park Chung-hee (foto: bcpark.net)

Mas ao realizar as pesquisas para o trabalho acadêmico, ficou constatado que há escassas referências à indústria automobilística coreana relatadas na língua portuguesa, mesmo que os carros coreanos estejam rodando em terras tupiniquins a mais de vinte anos. É fato que nenhuma das atuais marcas sul-coreanas gozam de uma aura de admiração e paixão como as fabricantes de automóveis italianas, alemãs ou japonesas. Mas atualmente, a Coreia do Sul tem a quinta maior indústria automobilística do mundo (OICA, 2013) e o market share dos automóveis Hyundai e Kia no Brasil correspondem a 7,79 % no acumulado de 2014 (FENABRAVE).

 
Daewoo Espero

Ssang Yong Rodius

Proto Spirra

Sua presença cada vez mais constante nas ruas nos faz pensar: “Ei! Como esses caras chegaram até aqui? E para onde eles vão?”
E com estas perguntas em mente, este espaço pretende explorar a história das marcas coreanas, os detalhes de seus automóveis, notícias sobre o mercado de automóveis coreanos e curiosidades que englobam todos os temas supracitados. E claro, servir de canal de diálogo com o leitor. Dúvidas? Sugestões? História para contar? É só deixar uma mensagem na sessão de comentários ou enviar um email para o endereço indicado no menu lateral do blog. Seja bem vindo(a)!